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Orixá Xangô: Historias, Rezas e Orações

Orixá Xangô: Historias, Rezas e Orações

Xangô é uma entidade (Orixá) bastante cultuada pelas religiões afro-brasileiras, considerado deus da justiça, dos raios, dos trovões e do fogo, além de ser conhecido como protetor dos intelectuais.

Historia do Orixá Xangô

De acordo com um dos itãs (lendas), Xangô era um poderoso rei e guerreiro que governava o reino de Oyó. Vestia-se de vermelho, a cor do fogo e que simboliza a realeza, e lutava com um machado de duas lâminas chamado Oxê. Seu reino possuía fartura de água e de alimentos e todos viviam muito alegres, com danças e festas.

O valente guerreiro, porém, como era muito vaidoso, não gostava de pessoas pobres e mal-vestidas, então ordenava que seus guardas prendessem qualquer pessoa descuidada que aparecesse pelo caminho. Um dia, eles encontraram o feiticeiro Exu, conhecido como guardador dos caminhos. Como estava maltrapilho, Xangô o ameaçou e expulsou do reino, ordenando que nunca mais voltasse. Irado, Exu prometeu se vingar.

Algum tempo depois, Oxalá, pai de Xangô, resolveu visitar o filho. Sabendo disso, Exu preparou sua vingança: apareceu no caminho de Oxalá e pediu-lhe ajuda para carregar barris de azeite. Como era bondoso, não recusou, mas Exu acabou derramando o azeite na roupa do pai de Xangô. Exu apareceu outras vezes durante a viagem tramando sua revanche, sujando-o com carvão e sal. Percebendo que sua roupa estava imunda, Oxalá tentou lavar-se em um riacho, mas a sujeira não saía de jeito algum. Isso porque estava enfeitiçado por Exu.

Ao chegar aos portões do reino, os guardas não o reconheceram e, achando se tratar de um mendigo, bateram nele e o prenderam. Na prisão, Oxalá encontrou muita gente inocente e injustiçada e amaldiçoou o reino, que passou a ter fome, sede e muita tristeza. Depois de 7 anos, desesperado que a grande seca não acabava, Xangô consultou um sábio adivinho, que revelou o acontecido. No mesmo instante, mandou buscarem seu pai na prisão, dando-lhe banho, alimento e cuidando de seus ferimentos. (Fonte: ‘Ogum, o Rei de Muitas Faces e Outras Histórias Dos Orixás’, livro de Lidia Chaib e Elizabeth Rodrigues)

“Os mais velhos já diziam que, toda vez que alguém morria atingido por um raio, era Xangô punindo a pessoa que foi injusta com os outros em vida. Uma casa atingida por um raio era o orixá mostrando seu poder e que o indivíduo deveria mudar sua forma de agir”.

Como Xangô se tornou Orixá

Há um itã que conta a origem de Xangô como Orixá, no qual ele vai testar uma nova ferramenta com Iansã, já que este Orixá sempre levou consigo pedras que soltam fogo e incendeiam para as batalhas. Porém, essa nova ferramenta é muito forte e incendeia o reino de Oyó. Profundamente abalados, Xangô e Iansã encerram suas vidas terrenas e se tornam Orixás.

Porém, vale lembrar que assim como em outras religiões, os itãs retratam metaforicamente os componentes da religião. Dentre esses componentes, eles podem mostrar forças opostas, valores e muitas outras lições. Por isso, não devem ser interpretados de modo literal por alguém que esteja estudando a religião.

Itan de Xangô criador de Culto a egungum

Em um dia muito importante, em que os homens estavam prestando culto aos ancestrais, com Xangô a frente, as Iami-Ajé fizeram roupas iguais as de egungum, vestiram-na e tentaram assustar os homens que participavam do culto, todos correram mas Xangô não o fez, ficou e as enfrentou desafiando os supostos espíritos. As Iamis ficaram furiosas com Xangô e juraram vingança, em um certo momento em que Xangô estava distraído atendendo seus súditos, sua filha brincava alegremente, subiu em um pé de obi, e foi aí que as Iamis-Ajé atacaram, derrubaram a Adubaiani filha de Xangô que ele mais adorava.

Xangô ficou desesperado, não conseguia mais governar seu reino que até então era muito próspero, foi até Orumilá, que lhe disse que Iami é quem havia matado sua filha, Xangô quis saber o que poderia fazer para ver sua filha só mais uma vez, e Orumilá lhe disse para fazer oferendas ao Orixá Icu (Oniborum), o guardião da entrada do mundo dos mortos, assim Xangô fez, seguindo a risca os preceitos de Orumilá. Xangô conseguiu rever sua filha e pegou para si o controle absoluto dos mistérios dos egunguns (ancestrais), estando agora sob domínio dos homens este culto e as vestimentas dos Eguns, e se tornando estritamente proibida a participação de mulheres neste culto, caso essa regra seja desrespeitada provocará a ira de Olorum. Xangô , Icu e dos próprios Eguns, este foi o preço que as mulheres tiveram que pagar pela maldade de suas ancestrais.

As qualidades de Xangô

Orixá Xangô: Historias, Rezas e Orações
Orixá Xangô: Historias, Rezas e Orações

Dentro das qualidades de Xangô, pode-se ver diferentes modos de atuação, características e até mesmo preferências. Por isso, para entender o Orixá Xangô, é muito importante que se entenda todas as suas qualidades e como elas se manifestam no terreiro.

Alufan

Sincretizado com São Pedro, essa qualidade de Xangô tem como campos de atuação as pedras do rio, do mar, cachoeiras, lagos e fontes. São protetores dos pescadores e recebem suas oferendas nessas pedras. Por ser sincretizado com São Pedro, muitos associam as chaves do céu a essa qualidade, considerando-a como protetora dos desencarnados.

Alafim

Xangô Alafim é o falangeiro que veste branco, devido a sua proximidade com o Orixá Oxalá, podendo vir com detalhes vermelhos se houver sintonia com Ogum e detalhes verdes, se tiver em sintonia com Oxóssi. É um dos falangeiros mais conhecidos de Xangô, por ser o primeiro a vir a terra, sendo chamado de ‘O grande pai’ ou ‘Xangô branco’.

Ele traz na mão o machado de Xangô, chamado de Oxé, e a espada, sempre atuando com muita força, não temendo possíveis adversários. Manifestando-se na forma jovem, Alafim cumpre a justiça na terra e auxilia as pessoas a superarem as demandas que as aflige.

Afonjá

Afonjá é uma qualidade jovem do Orixá Xangô, tendo grande sabedoria que o torna maduro. Ele é galanteador e orgulhoso, tendo uma relação energética muito intensa que pode propiciar choques com outras sintonias.

Por isso, é dito que ele representa uma força violenta que muitas vezes entra em conflito com falangeiros de Ogum. Inclusive, vale destacar que Xangô Afojá traz na mão um amuleto de proteção, dado por Iansã.

Aganjú

Xangô Aganjú possui alta relação com a Orixá Oxum, sendo muitas vezes o seu oposto que a complementa. Por exemplo, referente às emoções, Aganjú representa o lado bruto e rudimentar, enquanto Oxum simboliza a suavidade das relações. Xangô Aganjú gosta de se vestir de azul e vermelho, trazendo nas mãos o seu Oxé e uma espada.

Inclusive, a qualidade Aganjú é a que possui domínio dos vulcões, da montanha e da terra, tendo como campos de atuação os locais inexplorados e com potencial hostil para a existência, como desertos. Ele atua nas montanhas, grutas, cavernas, abismos e minas. Vale destacar que ele está muito ligado à vitalidade, com doação de força e saúde, sendo o defensor das pessoas menos favorecidas.

Agogo/Agodo/Ogodo

Xangô Agogo se manifesta como um idoso, com roupas brancas ou marrons, além de trazer em suas mãos dois machados. Ele é mais rígido e aprecia dar ordens, não gostando de quando desobedecem às suas ordens. Ele é o regente dos raios e trovões, sendo também responsável pelos terremotos. Inclusive, é atribuída a ele a responsabilidade de incendiar o próprio reino no itã em que ele se torna Orixá.

Baru

Falange poderosa e ao mesmo tempo, humilde e hospitaleira, Xangô Baru é uma qualidade que se apresenta na forma jovem em um cavalo branco, o que pode gerar confusão com algum falangeiros de Ogum.

Essa qualidade dá muita liberdade a seus filhos para falar sobre os mais diversos assuntos, desde que não abordem a morte, que lhe gera pavor. Suas vestes são muito exuberantes, com vermelho e branco e uma coroa com pontas em formato de fogo.

Bade

Diante de tantas qualidades desse Orixá, é comum que algumas pessoas se confundam e criem qualidades que não existem. Relacionado a isso, Bade não é uma qualidade de Xangô. Na realidade, o termo Bade é um dos modos de chamar o próprio Orixá Xangô no estado da Bahia, sendo um dos nomes dele, como outro sinônimo que é Zazi.

Jakuta

Apresentando-se na forma idosa, Jakuta é uma qualidade de Xangô que veste branco, marrom e amarelo, com um Oxê na mão. Xangô Jakuta é o responsável pela pedra de raio, já que esta é um dos símbolos de Xangô. Conforme os itãs, essas pedras são levadas em uma sacola com esse Orixá que as lança incendiando o alvo.

Kosso

A qualidade de Xangô Kosso, também chamada de Obakossô, apresenta-se na forma jovem e impetuosa. Trata-se de uma versão guerreira muito determinada a vencer todos os objetivos que ela depara.

Ao chegar nos terreiros, essa qualidade pode se manifestar de diversas formas, como: severos, amorosos, agressivos ou moralistas. Por conseguinte, ele é instável em sua apresentação, sendo importante ser muito respeitoso e sincero ao se comunicar com ele.

Oranifé

Xangô Oranifé é tida como uma qualidade muito severa que dificilmente perdoa quem cometeu alguma infração que envolvesse a sua presença. Porém, é muito justo, apesar de ter um caráter extremamente firme. Por isso, é importante se esforçar ao máximo para manter a retidão junto dessa qualidade de Xangô.

Airá Intile

Em alguns terreiros, Airá Intile não é visto como uma qualidade de Xangô, mas é tido como sendo uma qualidade desse Orixá na maioria das casas. Ele é um falangeiro que atua na forma de um adulto de meia idade, tendo como pontos de força os trovões longos, vendavais, furacões e redemoinhos. Ele trabalha em prol da caridade, apesar de ser rebelde e ter um temperamento difícil.

Desse modo, Obatalá conduz essa qualidade de Xangô, auxiliando-o a fazer caridade. Por isso, os filhos que carregam esse falangeiro na coroa devem ter uma guia de contas leitosa para Obatalá. Além disso, Airá Intile aprecia a cor branca e pode utilizar ou um Oxé ou uma espada nas mãos.

Airá Igbonam

A qualidade Airá Igbonam apresenta-se em uma forma muito jovem, sendo muito brincalhão com seu sorriso marcante. Ele adora as danças na incorporação, fazendo também que o médium caminhe sobre brasas quentes, para comprovar que ele está incorporado por essa qualidade de Xangô. Essa qualidade gosta de usar branco e se relaciona diretamente com Obatalá, sendo considerada como senhor do fogo.

Airá Mofé

Manifestando-se na forma idosa, Xangô Airá Mofe possui uma forte vibração de Oxum, por conta de seu choro ou demonstração máxima de emoção no momento de se manifestar no plano físico. Além disso, é o pai das águas quentes e trabalha ao lado de Oxum, tendo muito apreço pelas roupas brancas e azuis, tendo em alguns cenários, tons de amarelo ou dourado. Suas guias de contas são leitosas na cor azul.

Orações poderosas a Xangô

“Poderoso Orixá de Umbanda, Pai, companheiro e guia, Senhor do equilíbrio e da justiça, auxiliar da Lei do Carma, Só Vós tendes o direito de acompanhar, pela eternidade, todas as causas, todas as defesas, acusações e eleições provindas das ações desordenadas dos atos puros e benfazejos que praticamos. Senhor de todos os maciços e cordilheiras, símbolo e sede da Vossa atuação planetária no físico, no astral e no mental. Soberano Senhor do equilíbrio e da equidade, velai pela inteireza do nosso caráter. Ajudai-nos com Vossa prudência. Defendei-nos das nossas perversões, ingratidões, antipatias, falsidades, incontenção da palavra e julgamento indevido, dos atos dos nossos irmãos em humanidade. Só Vós sois o grande Julgador. Axé!”

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